Muitos de nós crescemos ouvindo
que no Brasil as pessoas são amistosas, cordiais, gentis, calorosas que o
Brasil é um país de todos e que todos aqui podem ser felizes mesmo que
sofredores. Vivemos a acreditar que terra boa como a nossa não há. O outro lado
da moeda é que também aprendemos desde pequenos que os políticos são ladrões
corruptos que estão no poder apenas para vadiar e roubar o dinheiro do povo. O
curioso, porém, é que a sociedade brasileira apesar de ter uma visão tão
negativa de seus representantes políticos são como já dito otimistas com
relação a seu país e como consequência não tomam posição frente a política. Por
quê?
Somos fruto de uma sociedade
baseada em valores patriarcais. O que é o patriarquismo? Para entendermos vamos analisar duas palavras,
“povo” e “pátria”, estas palavras têm suas origens no latim “populos” e “pater”. “Populos” se refere a um grupo de pessoas que vivem de maneira
ordeira, seguindo as mesmas regras e estão sujeitos a uma mesma lei. Já a
palavra “pater” é o pai, porém, não
no sentido de genitor, mas um pai jurídico. “Pater” é o que possui autoridade sobre o “patrimonium” (patrimônio) então ele é o senhor absoluto, sua
vontade é lei incontestável e deve ser respeitada pelos que estão sob seu domínio.
Pai então neste sentindo se refere ao que estar no poder patriarcal e pátria é
o que esta debaixo de seu poder. Sendo assim sociedade patriarcal é aquela que
esta organizada segundo as vontades do pai.
Feita essa reflexão sobre as
origens das palavras “povo” e “pátria” quero lembrar-vos de uma famosa frase no
Brasil: “O povo da pátria brasileira.” Pergunto se povo é o
grupo que vive debaixo de uma mesma lei e pátria é o que pertence ao “pater” (pai) quem é esta criatura
dominadora que exerce tanto poder sobre a sociedade e por que nós não reagimos
ante isso?
Podemos dizer que no atual
contexto político brasileiro o “pater”
é os governantes e lideres políticos. Estes deveriam, em vez de exercer poder
patriarcal sobre a sociedade, representá-la. Digo que o “pater” político do Brasil é os governantes e não o povo por que
ainda aqui a política é feita não para os interesses do povo, não para suprimir
as vontades e necessidades da “pátria”, mas ao contrario para se fazer as
vontades dos políticos.
O problema se agrava mais devido à
sociedade brasileira não interferir de maneira ativa na política por estar desde
cedo acostumada ao autoritarismo do “pater”.
Ainda crianças, somos sempre obrigados a respeitar a autoridade máxima do pai,
mesmo não entendendo o porquê de certas atitudes não podemos contestar, a ordem
é respeitar. Os chefes de família devem respeitar seus patrões e nunca questioná-los.
A esposa deve não apenas a submissão, mas, deve se sujeitar a todas as vontades
de seu marido, de maneira irracional, para não o perder para as outras. São
muitos os exemplos que mostram que dentro das relações intimas do brasileiro
opera o pratiarquismo.
A conseqüência desta atitude é
que por não questionarmos e não tomarmos posição esquecemos que o “pater” legítimo da pátria não são os políticos
e sim o povo!
Nenhum comentário:
Postar um comentário