quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Reflexos de uma sociedade patriarcal

Muitos de nós crescemos ouvindo que no Brasil as pessoas são amistosas, cordiais, gentis, calorosas que o Brasil é um país de todos e que todos aqui podem ser felizes mesmo que sofredores. Vivemos a acreditar que terra boa como a nossa não há. O outro lado da moeda é que também aprendemos desde pequenos que os políticos são ladrões corruptos que estão no poder apenas para vadiar e roubar o dinheiro do povo. O curioso, porém, é que a sociedade brasileira apesar de ter uma visão tão negativa de seus representantes políticos são como já dito otimistas com relação a seu país e como consequência não tomam posição frente a política. Por quê?

Somos fruto de uma sociedade baseada em valores patriarcais. O que é o patriarquismo?  Para entendermos vamos analisar duas palavras, “povo” e “pátria”, estas palavras têm suas origens no latim “populos” e “pater”. “Populos” se refere a um grupo de pessoas que vivem de maneira ordeira, seguindo as mesmas regras e estão sujeitos a uma mesma lei. Já a palavra “pater” é o pai, porém, não no sentido de genitor, mas um pai jurídico. “Pater” é o que possui autoridade sobre o “patrimonium” (patrimônio) então ele é o senhor absoluto, sua vontade é lei incontestável e deve ser respeitada pelos que estão sob seu domínio. Pai então neste sentindo se refere ao que estar no poder patriarcal e pátria é o que esta debaixo de seu poder. Sendo assim sociedade patriarcal é aquela que esta organizada segundo as vontades do pai.

Feita essa reflexão sobre as origens das palavras “povo” e “pátria” quero lembrar-vos de uma famosa frase no Brasil: “O povo da pátria brasileira.” Pergunto se povo é o grupo que vive debaixo de uma mesma lei e pátria é o que pertence ao “pater” (pai) quem é esta criatura dominadora que exerce tanto poder sobre a sociedade e por que nós não reagimos ante isso?
Podemos dizer que no atual contexto político brasileiro o “pater” é os governantes e lideres políticos. Estes deveriam, em vez de exercer poder patriarcal sobre a sociedade, representá-la. Digo que o “pater” político do Brasil é os governantes e não o povo por que ainda aqui a política é feita não para os interesses do povo, não para suprimir as vontades e necessidades da “pátria”, mas ao contrario para se fazer as vontades dos políticos.

O problema se agrava mais devido à sociedade brasileira não interferir de maneira ativa na política por estar desde cedo acostumada ao autoritarismo do “pater”. Ainda crianças, somos sempre obrigados a respeitar a autoridade máxima do pai, mesmo não entendendo o porquê de certas atitudes não podemos contestar, a ordem é respeitar. Os chefes de família devem respeitar seus patrões e nunca questioná-los. A esposa deve não apenas a submissão, mas, deve se sujeitar a todas as vontades de seu marido, de maneira irracional, para não o perder para as outras. São muitos os exemplos que mostram que dentro das relações intimas do brasileiro opera o pratiarquismo.

A conseqüência desta atitude é que por não questionarmos e não tomarmos posição esquecemos que o “pater” legítimo da pátria não são os políticos e sim o povo! 

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