quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Brasileiros - um povo sexual, será?

Parte I:Sexo, este estranho!
Estamos acostumados a escultar frases a respeito da sexualidade do povo brasileiro e sobre como ele é "quente". As mulheres são fogosas e tem os melhores atributos em forma de beleza, os homens são viris e tem pegada. Na linguagem popular ninguém nega que de vez em quando faz umas sacanagens, e que a esposa esperta deve fazer em casa o que o marido iria procurar nas outras da rua, por que como sabemos muitas vezes os maridos dão uma pulada de cerca. É somente no brasil que se pode encontrar aquela mulata que faz qualquer homem ficar louco e também é somente aqui que se encontras os machos capazes de fazer a mais santa das mulheres perder o juízo, e já que estamos falando de santidade é em nosso vocabulário presente a expressão santo(a) do pau oco que claro se refere as pessoas que apresentam ares de puritanismo e são verdadeiros devassos. É curioso como em todas estas expressões são ditas e repetidas pelas gerações e como elas revelam não a nossa sexualidade mas pelo contrário a nossa dificuldade em lidar com este estranho, o sexo.

Estes termos usados em nosso cotidiano podem resumidamente mostrar que somos:

1) Que ressalta atributos de sexualidade masculino e feminino, ou seja, não aceita outros padrões como homossexuais, trânsexuais e etc.

2) Ressaltamos que a sexualidade pertencem ao físicos ,dentro do limite da carne, e claro isso o torna ruim e pecaminoso separado do santo e da alma, por isso ser ativo sexual é diferente de ser santo.

3) Mostramos que existe dois tipos de sexo o de casa e o da rua e neste caso as mulheres para poder segurar seus maridos devem fazer igual se faz na rua.

4) Vemos também que para o brasileiro sexo e juízo estão separados assim como alma e corpo estão, por isso muitos perdem a cabeça por sexo.

Bem até ai tudo bem, porém, mais curioso é portanto a imaginação de que somos um povo liberal e sexual, que somos um caloroso e não temos em nossas raízes o preconceito. Em qualquer lugar poderia-se imaginar que todos estes ditos populares seriam indicativos de uma grande repressão sexual, mas, na mente do brasileiro ocorre o contrario, isso é prova, pelo menos para ele, de que somos um povo liberal. Isso levanta algumas perguntas:

1- Como pode as mais comuns e simples provas de repressão sexual serem usadas justamente como atestados do contrário?

2- Como pode passar despercebidos nas mentes destas pessoas o quanto somos uma sociedade reprimida sexualmente?

Para poder encontrar as respostas as estas perguntas devemos ter em mente o conhecimento da operação da IDEOLOGIA. De forma bem resumida e precrária a ideologia é antes de tudo uma maneira de pensar massificada,ela nasce dos pensamentos dos dominantes e intectuais de cada época. Ela é uma deturpação da realidade para legitimar a dominação. Por meio dessa mascara da realidade pode-se conveser as pessoas de que algo é ruim mesmo ele sendo bom e que algo é bom mesmo sendo ruim. Ela passa a ser então um ideário que permeia toda a sociedade e se desenvolve na história de um povo. E o que tem a nossa história a revelar sobre a ideologia a respeito do sexo?

Algumas facetas de nossa cultura vem da situação de fundação do Brasil, a que se encontrava três culturas principais a negra, a idígena e os europeus, destacando neste caso os portugueses. Tanto os indígenas quanto os negros eram sexualmente liberais mas, com o genocídio cultural, sobrou para nós o padrão Português do sexo. E como seira a intimidade sexual dos portugueses? A resposta mais correta seria talvez: Sexo Católico Apostólico Romano. Bem mais isso é uma história sobre a qual eu vou falar depois...

CONTINUA>>>>

domingo, 10 de novembro de 2013

Entendendo o que é uma ideologia!

Não devemos cometer o engano de achar que ideologia são as convicções e ideias pessoais, que são o que achamos certo e nossas opiniões a respeito de algo, isso se chama ideário. Ideologia é antes de tudo uma maneira de pensar massificada, um ideário que permeia toda a sociedade e se desenvolve na história de um povo, como diz Chauí:

"Nossa tarefa aqui, será desfazer a suposição de que a ideologia é um ideário qualquer ou qualquer conjunto encadeado de ideias e, ao contrário, mostrar que a ideologia é um ideário histórico, social e politico que oculta a realidade, e esse ocultamento é uma forma de assegurar e manter a exploração econômica, a desigualdade social e a dominação política."

Para entendermos como opera a ideologia vamos ver um exemplo: No começo do pensamento filosófico tentava-se explicar tudo por meio da tese da metafisica. O objetivo da metafisica era explicar a realidade por meio da permanência e do movimento.  Neste caso o filósofo Aristóteles afirmava que só se poderia conhecer a realidade por meio do conhecimento das causas, explicava-se que existia quatro causas  que construiriam os aspectos de um ser. São as quatro causas: 1) Material, responsável pela matéria de um ser. 2) Forma, responsável pela essência da coisa. 3) A causa montiz, responsável pela forma da matéria. 4) Causa final, motivo e sentido da existência da coisa. O ponto importante porém esta nos valores destas causas, a menos importante é a causa montiz (que dá forma a algo) e a causa mais importante é a final (o motivo para a existência da coisa). Sendo vemos que o trabalho e a fabricação desde estes tempos ficava como menos importe que a rasão para a existência do objeto.

Assim a divisão dos níveis da importância das causas leva a criar um pensamento que será ampliado na criação da igreja Católica Apostólica Romana e nas sociedades medievais. Pensar que a finalidade de algo é maior e mais importante que o processo de sua fabricação alimentou o pensamento das divisões de classes, pois a quem pertencia as causas nobres de definição da necessidade e finalidade dos objetos era as classes dominantes e a quem ficava o dever mais baixo de produzir e fabricar eram os dominados. Sabemos também que a causa final sempre esta relacionada com as vontades e necessidades dos que dominam então ela nasce com base em suas ideias, ou seja, com base no ideário das classes dominantes.

Quanto aos dominados cabem a execução, o trabalho e a obediência. Mas, a coisas mudam com a reforma protestante pois agora temos um novo homem que vindo de seus trabalhos com o comércio, sua labuta e poupança surge o burguês. A partir dai temos o trabalho como valorizado para enobrecer perante Deus a alma do homem. Porém se pegamos o trabalho como coisa e vermos que ele é realizado para a causa final a satisfação da classe dominante veremos que independentemente do que diz a classe dominante (a qual eu coloco Lutero pois ele foi um líder) o trabalho sempre está para os dominados e sua necessidade surge sempre para os dominadores. Isso mostra como a máscara persuasiva da ideologia atua.

A ideologia nasce dos pensamentos dos dominantes e intelectuais de cada época. Ela é uma deturpação da realidade para legitima a dominação. Por meio dessa mascara da realidade pode-se convencer as pessoas de que algo é ruim mesmo ele sendo bom e que algo é bom mesmo sendo ruim, pode se também mudar as coisas sem considerar a realidade histórica, foi assim por meio dela que pode-se dizer que o trabalho rebaixava o homem e por isso deveria ser realizado pelos escravos e servos e logo depois pode-se dizer que o trabalho dignificava o homem e por isso deveria ser realizado pelos escravos e trabalhadores pois só assim eles ganhariam as bençãos de Deus. Como é sabido os negros deveriam ser escravizados para com o trabalho pagar pelos seus pecados e assim ter suas almas libertas do inferno, ou seja por meio da ideologia o Brasil se tornou um local de salvação, um purgatório, para as malditas almas dos negros e indígenas. É assim que a ideologia opera, ela muda conforme a necessidade dos dominadores e sempre mascara a realidade.